Portugal, 1673. Duas mulheres celtas e um bebê recém-nascido enfrentam a perseguição da Igreja contra hereges pagãos. Obrigadas a deixar sua aldeia, ajudadas por um jovem cristão, partem em busca de um lugar onde possam cultuar seus deuses livremente. Em meio a sua fuga, descobrem que a Grande Mãe tem uma missão para eles e que os levará a lugares inesperados e a uma desconhecida Terra Nova.

Hoje conversamos sobre o primeiro livro da saga As Filhas de Dana!

Para deixar bem claro: Não sou especialista em crítica literária, simplesmente estou aqui dando minha opinião sobre a história então estamos conversados!

Antes de começarmos a falar da história, devo dizer que uma das coisas que me chamou atenção foram as capas: simplesmente maravilhosas. Geralmente não gosto muito de livros cujas capas sigam o estilo manipulação de fotos, prefiro algo mais voltado para ilustração fantástica, porque consigo uma maior identificação.

Mas esse livro quebrou a minha cara. São simples, mas assim como as personagens da história, elas apresentam uma magia inexplicável que nos chama, esse foi um dos motivos que me fez comprar a trilogia. Além de, claro, ser uma obra nacional ❤

Simone, se por acaso um dia ler isso, como usei o cartão da minha mãe para comprar os livros (o meu ainda estava para chegar e.e), os autógrafos vieram no nome dela rs Mas não tem problema, eu também não fui inteligente pra mandar um email explicando a situação rs

Agora vamos ao que interessa!

SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT 

O livro conta a história de uma família pagã que é perseguida por suas crenças, em meados de 1600. A Igreja com seu poder tentava aumentar seu domínio sobre quem não compartilhava das mesmas crenças e é nessa situação que Dom Couto é designado a livrar uma região das influências pagãs.

Dom Couto tem filhos gêmeos, Diogo e Douglas, mas suas personalidades são muito diferentes. Douglas segue os passos do pai, carrancudo e metido a machão, postura que ele aprimorou depois da morte da esposa. Diogo é mais pacífico e pelo menos tem a cabeça no lugar.

Um dia o grupo de caça de Dom Couto persegue algumas pagãs e consegue levar uma delas, causando rebuliço na vila dos pagãos e Diogo é detectado por Gleide, a líder deles. Ele tenta convencê-la a se converter, fingir conversão, mas ela não garante que vai mesmo fazê-lo porque precisa conversar com o pessoal da vila.

No fim, o grupo de Dom Couto acaba matando todo mundo mesmo assim. Douglas num blefe, ateou fogo na casa onde estava Diogo, que entrara lá para tentar salvar Adele, uma parturiente. Com todo mundo achando que Diogo morrera, o grupo se retira, mas ele conseguiu escapar com Adele e Gleide, ajudando-as a encontrar um novo lar.

Elementos adicionais da história contam com: Adele e Diogo se apaixonarem, o sequestro de Adele, a luta entre os irmãos e o finale, Adele esperar um filho dele, significando a aprovação de Dana.

De início, a minha personagem favorita era Gleide. Gosto de personagens do estilo dela, fortes, decididas, obrigadas a amadurecer muito cedo para que os outros possam seguir em frente. Mas ao mesmo tempo, outra coisa que me fascina em personagens do estilo dela é a facilidade com a qual suas ações podem ser interpretadas de forma errada. O que para ela é normal, o correto segundo normas de suas crenças, pode não ser para as outras pessoas e por todo o livro é possível ver esse traço dela estilo “faço isso para seu bem”.

Chega um momento da história que você simplesmente quer que ela se exploda, porque ela insiste tanto em um determinado tipo de comportamento que uma hora dá vontade de mandá-la catar coquinho. Mas lá adiante você percebe que ela estava certa, apesar de um pouco incompreendida, aquele ditado de “avó é mãe duas vezes” cai muito bem nela. A cabeça dura da Gleide ajudou a linhagem a se manter viva durante todo o livro e essa é uma personagem para a qual devemos tirar o chapéu.

Mas todos os personagens foram bem desenvolvidos. As diferenças entre os irmãos gêmeos, o relacionamento deles com a família e seus princípios, suas personalidades. Essa história me ilustrou perfeitamente uma das várias interpretações do yin-yang, em que não existe bem absoluto nem mal absoluto, não existem extremos nesse caso. Até mesmo o Diogo uma hora surta de raiva para proteger sua família e até mesmo Douglas demonstrou sentimentos, do jeito dele, mas mostrou.

Por mais que ele tivesse sido necessário para que a roda girasse, Guilherme foi um dos que eu desconfiei desde o início. Você não dá nada por ele, um cortejador de primeira e dá para perceber isso conforme se lê o livro. E quase no final, pimba, é bem isso mesmo. Por causa dele, todo o sacrifício de Gleide e Adele quase é posto em risco, felizmente, como eu disse sobre o yin-yang, não há extremos no mundo e Guilherme consegue se redimir.

Os “amores a primeira vista” também me soaram rápidos demais no início, mas depois eu me lembrei de um trecho que vi n’A Casa das Sete Mulheres, quando Antônia diz a Garibaldi “Já se apaixonaste de verdade, capitão? Olhou nos olhos de uma pessoa e viu neles o seu destino?”. A partir daí pude ler sem maiores indagações.

Fazia um bom tempo que eu não dava uns faniquitos lendo. A primeira parte da história era carregada o suficiente para eu não dar uns pittis, já que a carga emocional das tramas era mais forte diante do vínculo dos irmãos, as diferenças de Adele e Gleide, a transformação do pai dos meninos assim que caiu doente. Então não tive grandes oscilações de reação.

Mas quando chegamos em Daniele a atmosfera está tão tranquila, então surge aquela aura pesada com a proposta de casamento, a fuga com Guilherme, a morte de todo mundo… Devo dizer que me deu uma vontade imensa de queimar todo mundo que arregou na hora que a família convocou o pessoal pra ajudar contra Dom Francisco. Nessas horas me veio um insight da primeira vez que Gleide conversou com a aldeia e mesmo tendo se submetido ao batismo, todo mundo no fim acabou morrendo. E lá estava ela outra vez fazendo a mesma coisa, mas dessa vez, incitando-os a lutar.

A primeira parte, sobre os gêmeos Couto e Adele foi um ritmo leve, embora mais pendente para o triste diante do passado dos irmãos, além da destruição do vilarejo das mulheres, da morte de Allan (fiquei igual a Adele na morte dele ;-;) e do desfecho com Douglas. A segunda parte, já tinha um ar mais tranquilo, até meio cômico eu diria. Mas que conforme a coisa vai complicando com a fuga com Guilherme, sua falta de maturidade e o desenrolar todo com Antônio, a pressão vai subindo e eu me vi com dor no pescoço depois de ler, tamanha a tensão rs

Embora a ache fascinante, não conheço o suficiente de mitologia celta e essa saga me motivou a fuçar aqui nos meus livros sobre essas crenças. Uma história que você pode tranquilamente ler em um dia, tem pouco menos de 350 páginas, mas te prende do início ao fim.

Outra coisa fascinante foi o fato de ela ter enlaçado costumes celtas com o Brasil, lembrando-me fácil fácil das aulas de história do colégio, tornando tudo mais divertido de ler, mesmo se tratando de um período complicado da história como a inquisição. Triste, é verdade, mas que são terrenos férteis para histórias nacionais florescerem, como é o caso dessa saga.

Em breve venho com o post sobre As Filhas de Dana: Samhain.

És parte da terra, do fogo, das águas e das matas…

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