Marina é uma jovem de dezessete anos, que vive numa fazenda na Chapada dos Veadeiros. Entretanto, ela não é uma garota comum. O Povo da fazenda, chamado de Tribo de Dana, considera que ela é o avatar da Grande Deusa Dana, a mais importante dos deuses celtas. Por isso, Marina é cercada de cuidados, e sempre vigiada de perto por guerreiros-guardiões. Mas os deuses do Outro Mundo decidem que ela precisa encontrar sua verdadeira face e para isso irão atraí-la para seu mundo e lançar-lhe um desafio… Contudo, ela não estará sozinha, seus dois Sombras não irão facilitar o trabalho dos deuses, nem que para isso tenham que cruzar o véu com sua protegida…

Olá pessoas!

Não vou me justificar infinitamente por conta da minha demora, mas o que importa é que aqui estamos nós, não é? Seguindo na crescente dos livros da Simone Marques, trago um post sobre Dois Mundos, o primeiro da série Tesouros da Tribo de Dana.

Para deixar bem claro: Não sou especialista em crítica literária, simplesmente estou aqui dando minha opinião sobre a história então estamos conversados!

SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT

Primeiro, é importante ressaltar que mesmo se passando na Fazenda fundada por Daniele na outra saga, a premissa é diferente. A história trabalha como distopia que ocorre no Brasil em 2021, mas sem deixar de misturar mitologia celta.

Segundo, gostaria de elogiar de novo o esmero da edição do livro. As páginas são um baita de um estímulo para que continuemos lendo porque as bordas são personalizadas e ajuda muito a entrar no clima. Embora eu prefira a capa da edição anterior lançada pela Modo, acredito que a atual tem mais a ver com a atmosfera do livro.

O mundo está destruído, o único lugar seguro no momento é a Fazenda e a responsável pelas três ondas de destruição foi a protagonista, Marina. Ela é o avatar de três grandes deusas, então imaginem uma bomba atômica andando por aí.Por isso não pode ficar desprotegida e todo esse zelo acaba por influenciar em seu comportamento.

Longe de tudo que conheceu, do seu antigo modo de vida, tratada com tanto respeito e endeusamento desde a época da pré-adolescência, onde a maior parte da nossa descendência começa com a rebeldia, a teimosia, crise de identidade, hormônios em desespero e coisa do tipo, isso acaba por sufocá-la porque os ensinamentos que querem tentar passar para ela, em sua cabeça, são uma espécie de controle que Marina não quer.

Obviamente, toda essa teimosia e vontade de mostrar que não precisa de ninguém e que não é mimada a coloca em sérios problemas, arrastando seus guardiões junto. Marina acaba por adentrar o Sídhe, um lugar no qual ela não deveria ter se metido, mas né, todo protagonista adora ser do contra. Assim cruzando a fronteira dos dois mundos e se metendo em (como diria a Sessão da Tarde) altas confusões.

Ao mesmo tempo, essa personalidade faz com que lá na frente ela se ferre bastante porque várias vezes, ela se vê confrontada por situações em que poderia ter se aproveitado da imensa carga de conhecimento que a sacerdotisa Gwenneth queria lhe passar. A teimosia da Marina causou uma reação em cadeia em que ela mesma se afundou, vejamos.

Desde lá trás, ela vivia se esquivando dos ensinamentos da Gwenneth quando dava na telha. Mas o que acontece? Toda essa vontade de se mostrar bem resolvida se torna um desastre quando ela quis dar uma de rebelde e se meteu no Sídhe. Resultado? Todo o tempo Marina precisa ser salva pelos seus Guardiões, justamente algo que ela odeia com todas as forças porque detesta se sentir um fardo.

Em alguns momentos, inclusive, ela percebe quanta merda fez. Porque várias situações ela sente que poderia ser capaz de fazer algo por si mesma, ou ajudar os rapazes, se não tivesse se esquivado da Gwenneth lááá trás, que certamente teria lhe ensinado algo. Ou seja, ela odeia ser salva pelos guardiões, mas toda ação há uma reação, e Marina durante todo o livro está aprendendo com seus erros.

Isso sem contar que ter três deusas dentro de você não te deixa tão equilibrada assim, com certeza o comportamento da Marina é indiretamente influenciado por elas, então as mudanças abruptas de humor e comportamentos alok são compreensíveis se analisados por essa ótica.

Vou dizer a verdade, tenho sentimentos conflitantes em relação a protagonista. Uma parte de mim, obviamente, é altruísta o suficiente para lembrar de mim quando estava na idade dela, colocar-me em seu lugar e tentar imaginar o que eu teria feito. Mas tenho certeza que o mínimo que eu teria feito seria não faltar aos encontros com a Gwenneth, provavelmente me meteria mais fundo nos estudos só para tentar esquecer todo o trauma, e compensar os danos feitos ao meu psicológico. Conheço-me suficiente para afirmar isso.

Embora entenda a situação dela, e que tudo isso é necessário para seguir aquele esquema de construção de personagem, esquecerei isso só por agora porque preciso desabafar também, afinal, se a Marina tem três dentro dela, eu tenho duas:

tem-gente

meos deeeeeeeoses que garota chata! Vou resumir tudo que Marina faz na história (que em geral é o que costuma acontecer com protagonistas nos primeiros livros): chorar, retrucar, ter visões, esbravejar, tirar conclusões precipitadas, teimar, ter crise de paixonite por causa do Brian.

Essa menina tem sérios problemas pra se comunicar. Sério. Tira um monte de conclusões precipitadas, retruca, depois fica calada, emburrada com raivinha, e o povo que se dane pra tentar entender o que se passa na cabeça dela. Minha filha, o mundo vai muito além da tua bolha, ALÔÔÔ?

Tenho compaixão pela Marina, por sua situação e tal, mas não consigo gostar dela. O Brian segue pelo mesmo caminho, tenho um pouco de pena por ele desde o início ser o capacho da Marina (detalhe: ser capacho da Marina é diferente de ser Guardião de Dana. Marina só faz merda, e ele tem que ficar lá levando a culpa de tudo, só porque foi treinado pra servir e proteger) e fiquei ainda mais penalizada quando os sonhos mostraram aos dois que teriam sentimentos um pelo outro.

A partir daí foi só ladeira abaixo, quando dei por mim, já tava fechando o livro toda vez que tinha momentos de água com açúcar entre os dois porque me dava uma agonia ver o Brian naquele amorzinho todo, se arrastando pela Marina e ignorando total o juramento dos Guardiões. Não consigo gostar dele, ai não sei, meio que o desenvolvimento desse personagem não tem como acontecer sem a Marina porque né, o pai dela foi um baita guerreiro na Tribo e foi quem treinou o Brian. Então, querendo ou não, terei de aprender a gostar dele.

Mas lembrando, é isso que faz uma história especial. Ela deve despertar sensações em você, não importando quais sejam. E outra coisa, é o primeiro livro ainda, geralmente os primeiros costumam ser bem “marromenos” para protagonistas e no segundo é que eles começam a render, fazer algo.

Lá pelas tantas do final, depois que ela percebeu um pouco (lê-se, uma dazinimiga contou o que a Marina fez no apocalipse e coisa do tipo) do que aconteceu, Marina resolve criar vergonha na cara e crescer um pouco e realmente espero que ela amadureça, não aguentarei mais dois livros com ela agindo assim.

O único personagem do núcleo da Marina que eu gostei foi o Artur. Ele desde o começo sendo o lado mais centrado e cabeça no lugar, meu favorito ❤ Mas aí lá pro final, ele resolve pensar o que não deve acerca da Marina, PELAMOR ARTUR, ASSIM TU ME QUEBRA! Eu lá, super feliz acreditando que ele não teria essa coisa de se apaixonar pela menina assim como o tonto do Brian fez, super curtindo o personagem dele passando por um monte de perrengues enquanto o outro lá em 90% dos casos, preferia ficar de olho na Marina, ele ainda vai e me faz essa desfeita.

Artur, sério, por favor, não. Pelo que entendi, ele já deu uns sinais ali no final de que teria uns ciuminhos do Brian com a Marina, tô morrendo de medo de ele cair na síndrome do triângulo amoroso, e isso me deixaria realmente muito chateada porque era o único personagem que salvava no núcleo da Marina.

Banner Personagens Dois Mundos.jpg

Ilustrações por Felipe Mangueira

Olha que maravilha de homem, meo deos. Artur, te quiero e já! Aí tu olha pro Brian e… né… Como diria a grande filósofa contemporânea, vamo’ faze’ o quê, né? Tem gosto pra tudo, rs.

Observação: Brian, deixa sua barba crescer, pelamor. Você fica muito pior sem ela.

Eles enfrentam altos perigos em busca de alguns artefatos importantes que ajudarão a Marina em sua função de Avatar. De início não era essa a missão deles, eles queriam era voltar para casa, mas depois de umas visões da Marina, acabaram por ficar de olho pra ver se encontravam algum artefato. Eles já encontraram dois e o Brian já “sentiu a presença” do terceiro, porque na parte final do livro ele precisou cumprir um acordo com uma deusa lá e tiveram de se agarrar. (Obs: nessa hora jurei que o marido dela era um voyeur)

Encontraram um Leprechaun, também um guardião suspeitíssimo de um Castelo que forjou espadas novas para Artur e Brian, o tal Deus senhor desse Castelo e sua esposa tarada… Enfim, todos esses encontros foram muito interessantes porque envolvem divindades da mitologia que o livro retrata e foi até bom para mim porque preciso me inteirar melhor sobre ela, porque o pouco que sei é meio picado.

Há dois núcleos no livro, e cada capítulo vai intercalando. No segundo núcleo, temos outro personagem principal que é o Pedro, um carinha que desde mais novo via coisas estranhas, segundo quem o conhecia, e que todo mundo achava que era louco. Ele é o oráculo, então ele tem uma proximidade bem grande com Dana e consequentemente com a Marina. No sonho que ela teve, até fiquei na dúvida quanto aos sentimentos dos dois. Por um momento pensei que mesmo Dana o considerando um irmão, Marina o visse de outra forma, mas talvez seja impressão minha.

Do início do livro pra cá, ele precisou visitar a família para saber se estavam bem depois do apocalipse que rolou, mas quando sentiu que Marina precisava dele, acabou por retornar. O problema é que de Campinas até a Tribo é uma baita de uma viagem, e ela é maior ainda sem recursos. Sem contar umas criaturas muito estranhas que começaram a rondar a cidade e matando todo mundo. Acabou precisando recorrer a um parente abastado para conseguiu um jeito de ir.

O complicado é que ele só conseguiu essa carona sob condição de ir com uma galera junto, e isso poderia colocar Marina em risco, porque o lugar onde fica a Tribo é ainda inexplorado pelas Redes (como se fossem domínios de oligarcas que detém recursos e controle sobre a população daquela área, protegendo-os e ganhando mais poder) e o tal parente, que se não me engano é tio dele, só aceita levá-lo se os capangas forem junto.

No meio do caminho, encontram uma menininha, Liban, e seu cachorro, Merlin. Pedro a leva junto com ele e em determinado momento descobrem que ela é uma fada, embora esteja sem as asas. É muito legal a história dela, mas a Deusa a qual a menina serve quer mais informações sobre Dana e o que vai acontecer com o mundo, e por isso vai usar a Liban para descobrir mais sobre. Não tenho certeza se ela está manipulada ou não, talvez esteja, mas não saiba disso ainda.

O pior é que não é só ela, tem um monte de outros deuses que querem ter a Marina para que assim, eles possam perguntar para Dana sobre o que vai acontecer com o mundo, com eles mesmos, enfim, terem todas as respostas.

Enfim, essas foram as minhas impressões. Como ressaltei, compreendo que eles precisem passar por aquilo para que se desenvolvam. MAAAS não quer dizer que eu não possa ficar bolada porque as coisas aconteceram do jeito que aconteceram.

Resumindo: Gostei da história, embora não tanto quanto a Saga d’As Filhas de Dana. Talvez seja porque eu não curta muito distopia, mas com certeza ela vale a pena ser lida, porque tem bastante aventura e mitologia! (Embora as partes de romance me deixassem meio “SERIOUSLY?”).

Vai te despertar para aqueles pensamentos de “E se isso acontecesse mesmo?”.

2021 tá chegando, hein.

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