Atravessar a fronteira brasileira com a Bolívia, adentrar o Peru e alcançar as ruínas de Machu Picchu.

O roteiro básico de um mochilão pela América do Sul ganha outras proporções com o surgimento de Nipi, um inca encarregado de contar as histórias esquecidas do seu povo. São relatos de reis, heróis, feiticeiras, ladrões, sentinelas, curandeiras e outros personagens marcados pelo fantástico, que receberam a dádiva ou a punição de Inti, o deus Sol, para habitar a terra onde nasceram até os dias atuais.

Combinando ficção histórica, fantasia, relato de viagem e registro fotográfico, Na Eternidade Sempre é Domingo é uma obra de ficção múltipla, uma aventura pé na estrada carregada de mitologia.

Como prometido, aqui está um post sobre mais um livro!

A história dessa leitura começou num evento literário que teve na minha cidade, iniciativas desse tipo, devo dizer, não são tão valorizadas e quando ocorrem, não divulgam direito. De forma que fiquei imensamente feliz de poder conhecer, mesmo só de vista e por intermédio de um escandaloso “lançamento? Estarei lá!”. Certamente o autor me achou uma louca.

Acabei não podendo ir, uma série de imprevistos vieram,  então tive de descartar a ida. Mas nada disso me impediu de comprar o livro e colocar minhas habilidades de investigadora em prática (7 anos de staff num site de histórias ajudam muito na hora de descobrir perfis infratores, quem dirá encontrar o face de alguém), para poder entrar em contato assim que possível.

Assim que coloquei os pés na livraria, a primeira coisa que fiz foi perguntar sobre a prateleira de nacionais e que, como sempre, não existia nada além daquelas edições dos clássicos da Claret, então tive de procurar por mim mesma.

Garimpei alguns poucos relevantes dentre a literatura youtuber em voga nas prateleiras da frente e assim que li a sinopse deste aqui, já me ganhou de cara. A Capa já tinha me dado uma prévia do que viria, mas quando olhei a sinopse, foi checkmatte.

Para deixar bem claro: Não sou especialista em crítica literária, simplesmente estou aqui dando minha opinião sobre a história então estamos conversados!

SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT

Até então havia outros na pilha para serem lidos antes, mas ontem (20), esperando paciente a sua vez, “Na eternidade sempre é domingo” foi lido e digo, não me arrependo. Como indicado na sinopse, Santiago relata sua viagem por Bolívia e Peru até chegar a Machu Picchu.

Mas não é um simples relato, ele trabalha com o texto de forma maravilhosa ao envolver nas linhas algo que amo de paixão: mitologia sulamericana. Tenho alguns livros que retrata sobre isso, mas que algum dia terei tempo para ler de forma apropriada.

Conforme Nipi narra-lhe os fatos, as pessoas, as lendas e até mesmo quando os personagens relacionavam as fotos com o que conversavam, deixava tudo bem mais tocante, algumas até me deixavam com aquela aperto no final.

Sou suspeita pra falar, afinal sou extremamente saudosista e esse livro me deu uma experiência interessante pelas histórias que eram contadas e pelas fotos tiradas. Fotos que fogem bastante do padrão “ah vou tirar foto do ponto turístico tal”. Tem uma grande carga de “simplicidade” nelas, deixando o histórico falar por si só.

Fica difícil escolher qual foi meu favorito, mas Karpawasi foi o que mais me deixou num misto de emoções. Tomada pelo saudosismo do último capítulo, ainda sob efeito da história do motorista e do capítulo de Misi (que acabara de me despertar para o “por que escrevo?”), quando Nipi canta, não pude deixar de associar sua melancolia ao meu sentimento de saudosismo.

Da minha impossibilidade de compreender realmente o que foi a história Inca, mesmo que eu leia sobre, não será a mesma coisa. E imagino se fosse eu no lugar dele, é muito valor histórico passado em tão poucas páginas, mesmo que os relatos apresentem algo de fictício. Senti na voz do Nipi, a voz de todo um povo que luta para manter suas tradições e valores num mundo que muda constantemente, e que é muito mais do que um monumento turístico que o pessoal tira foto e posta no insta.

Mamakuna foi outro capítulo pelo qual me interessei bastante, aquele contraste de gerações femininas e a história foi bem casado.

Mas talvez minha visão seja considerada antiquada e atrasada por aqueles que acham tudo isso uma grande besteira, e que viajar se resume a Disney. Eu sou uma alma velha, então enquanto vocês seguem em frente a todo pano, eu me limito a ler as histórias retratadas neste livro e imaginar que fui escolhida por alguma Mamakuna. Posso não ser eterna, mas esse livro me deu uma visão diferente do que isso significa. Já estive nesse mundo outras vezes e esta é só mais uma das vezes nas quais voltarei, e aprenderei mais um pouco. E assim a roda gira.

O livro me despertou para aprender sobre a cultura do nosso continente cada vez mais, assim como entrou fácil no meus top 5. Meu saudosismo se despede desse livro com a sensação de “te vejo outra vez”, porque certamente sentirei vontade de relê-lo ou emprestar para alguém para que tenha ao menos uma experiência semelhante a minha.

Recomendadíssimo ❤

PS: Li o livro no dia 20, no dia 21 comecei a escrever sobre ele, mas diante de eventos em off, acabei por postá-lo somente agora dia 22.

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