Guerra, fé e magia. O Medalhão de Ísis é o primeiro livro de uma trilogia ambientada no Oriente Médio do século IV que narra a disputa de três reinos da Arábia por um antigo artefato divino. O leitor será levado a viver uma aventura fantástica através das belíssimas paisagens egípcias e a desvendar os mistérios de antigas criaturas do folclore árabe.

Quando os caminhos do guerreiro Faris e da princesa Ahlam se cruzam, uma jornada perigosa se inicia em busca de peças do medalhão de Ísis. Com seu destino traçado pelos deuses egípcios, o casal precisa fugir de seres míticos e de reis que querem a todo custo o precioso medalhão a fim de trazer à tona um dos maiores conflitos do Antigo Egito: a guerra entre Ísis, Osíris e Seth.

 

MEO DEOS, E ESSA SEMANA QUE NÃO ACABA???

Só pra terem uma ideia, comecei esse post no mesmo dia em que fiz a resenha do “Na eternidade sempre é domingo” e até hoje não consegui terminar, veremos se será possível agora. e.e

Para deixar bem claro: Não sou especialista em crítica literária, simplesmente estou aqui dando minha opinião sobre a história então estamos conversados!

SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT SPOILER ALERT

Como a sinopse já deixa claro, estamos no antigo Egito, minha gente! Nas primeiras partes do livro temos três núcleos. O da princesa Ahlam que vai se casar arranjada pra deter uma guerra, o guerreiro Faris que é mandado invadir o reino dela pra pegar algo, e o do Marduk, o noivo malégno da princesa.

Quando vi a Ahlam me lembrei de imediato da Jasmine. Já tava consciente do papel do Faris, que dividia o núcleo com o comandante e o misterioso motivo de invadirem o reino da Ahlam, o Marduk dividia o núcleo com o pai dele e com o Seth, então até aí tudo beleza.

Os noivos vão se conhecer no dia do aniversário dela, todo mundo de boa porque ambos estão reunidos lá pra firmar o compromisso (cada um por seus motivos), mas o Faris invade junto com a galera dele e saqueia tudo. A Ahlam nesse dia ganhou um colar de presente do pai, e o Marduk meio que já sabia dele e quando ela não quis dar o colar pra ele na hora da fuga, o Marduk a deixa pra trás e fugiu. O Faris a leva como escrava pra não precisar matá-la e coisa do tipo.

Entre peregrinações pelo deserto, agarrações meio aleatórias, perseguições por parte de criaturas inacreditáveis até então, um gênio muito suspeito que depois se mostra bem legal e lutas pela sobrevivência (sem contar a galera do Marduk que está querendo trazer Seth de volta), Ahlam e Faris vão precisar encontrar os pedaços do medalhão da Ísis, antes que outros encontrem e ocorra uma baita treta que é a batalha entre Ísis, Osíris e Seth.

Ao menos, os deuses egípcios em sua maioria querem ajudá-los. Claro, deve ter alguns ali que não, mas pelo menos tendo o apoio de Hórus a coisa fica muito melhor (amo esse deus, se pá um dos meus favoritos junto a Anúbis). O divertido é ver o Faris, que antes era meio “tô nem aí pros deuses”, precisar da ajuda deles de vez em quando, a mãe dele era bem devota aos deuses e ver o contraste entre ambas as gerações é bem interessante. Incluindo também a opinião que ele tem, que o Faris vez ou outra deixa escapar e os deuses só olham pra cara deles no maior estilo “maktub, dane-se você não querer. VAI fazer mesmo assim” XD

Antes que me trucidem, já vou mandar a real. Estou com sérios problemas pra me conectar com protagonistas. Não sei o que está acontecendo comigo, porque eu não consegui gostar da tanto da Ahlam e isso me incomoda muito. Eu queria gostar dela, queria achá-la badass, mas na maior parte do tempo a achei mediana, um mediana pendendo pra baixo porque nas partes em que ela dava showzinho eu ficava “aff, outra Marina da vida?”.

Não sei até que ponto minha personalidade e noção de realidade influenciaram na opinião que tive sobre a Ahlam. Em geral eu sou o oposto dela, pelo que me avalio dia após dia. Ok que algumas vezes ambas somos teimosas, mas são poucas as situações em que eu saio dando alok igual ela. Por que digo isso? Porque Ahlam é expansiva e eu sou muito mais reservada, embora ambas sejamos afiadas quando nos provocam.

Muito provavelmente essa diferenciação entre nós já seria suficiente pra metade do mundo me dizer que isso é inveja e rekalq da minha parte, porque não sou igual a Ahlam. Honestamente, não queria estar na pele dela mesmo não, considerando todos os perrengues que ela passou.

Não muito raramente ela dá uns chiliques que eu acho super desnecessários até pra uma personagem ativa (digo no sentido de ela fazer a história rolar, e não sofrer passivamente seus efeitos) igual a ela. Inclusive teve um momento que eu fiquei até meio perdida sobre o motivo de ela ter surtado, porque foi tão do nada que eu “ué?”. Ou talvez eu não tenha lido direito, afinal a cena envolvia a Ahlam e o Faris e eu já tava sem paciência pra ver os dois brigando. O problema não foi eles brigarem, foi brigarem demais. E quando não rolava isso, era ou pegação ou eles estavam conversando com o gênio. Não me levem a mal, mas minha cota pra casais brigando acabou na época em que eu assistia InuYasha, depois disso dei por encerrado x.x

Sabe o principal motivo de eu me sentir incomodada por não gostar da Ahlam? Porque automaticamente eu meio que me identifico com a Sansa (da série do GOT, não do livro, porque lá ela tá menos irritante), mesmo não querendo. Vou fazer uma intertextualidade rapidinha aqui:

  • A Sansa da série desde então foi a passiva dos enredos que tramaram tanto pra ela quanto pros outros.
  • Ela deu uma melhorada lá nas últimas temporadas com a morte da Lysa, mas chegou na trama com o Jon, os roteiristas deram uma descuidada foda na interpretação do enredo dela. Ficou sem sentido e por isso a maioria do povo gosta menos ainda dela e tá pouco se lixando se ela é herdeira do norte acima do Jon.
  • Considerando isso, à grosso modo, os defensores da Sansa argumentam que o fato de ela ficar calada na hora de falar do exército do Vale foi suficiente pra mostrar que ela sabe jogar o jogo (além das lágrimas de crocodilo que derramou no Vale). A Ahlam joga diferente, ela meio que tem um espírito ariano dentro dela que faz tudo no ímpeto, independente se é uma defecada ou não. Felizmente ela tem um colar pra salvá-la das bobagens que faz, diferente da Sansa.

Vou falar a verdade, se for pra eu escolher uma dessas duas linhas de estratégia (LINHAS de estratégia, não a estratégia EM SI, porque ambas são meio ruins lol), eu escolheria a da Sansa. Não gosto de gente escandalosa, eu não sou escandalosa, então acabo meio torcendo o nariz pra quem é ativo em excesso nas histórias. E olha que eu não aguento a Sansa!

Minha decepção hoje é não ser livre pra discordar sem ser bordoada por isso, como se eu fosse obrigada a gostar. Em nenhum momento estive dando rage gratuito aqui, sempre expliquei meus motivos pra não gostar de personagem tal. Agora se a sua interpretação é diferente da minha, não sou obrigada a concordar com você e vice-versa. Por muito menos, gente já morreu por aí.

Curto sim personagens independentes. O que eu não gosto é quando a leitura me dá a sensação de que isso é esfregado tão forte na minha cara, que parece que tá me forçando a engolir uma personalidade x. Anyway, gosto bastante do background dela, só não gosto é dos chiliques que ela dá algumas vezes, acho que fiquei tão traumatizada com a Marina que agora até a Ahlam tá sofrendo com a minha chatice. Mas enfim, Ahlam é a avatar de uma deusa e por conta da idade não sabe controlar essa personalidade tão forte, então a gente releva. XD

As cenas de romance… um pouco rápidas, não sei explicar. Claro, considerando que o livro tem umas trezentas e poucas páginas, acaba por justificar essa paixonite que na minha cabeça foi mais motivada por atração sexual fogo-de-palha do que por momentos entre os personagens, já que eles não tiveram taaanto momento assim pra interagir de forma mais profunda porque sempre tinha algo acontecendo. Eu teria compreendido totalmente se eles só se apaixonassem no segundo livro, teria ficado um pouco mais linear acho.

MAS, POR OUTRO LADO, tem aquela coisa que o livro vive frisando, de ela ser como Ísis, então logicamente o Faris seria tipo Osíris. A atração/paixonite deles não é desse mundo. Já vem de planos mais elevados, “outras Eras”, então não precisariam necessariamente de uma explicação ou tempo pra ser desenvolvido de forma “humana”, digamos.

CLARO, haverá cenas em que o Faris dá ataque de romantismo, pensando consigo mesmo no quanto ela é especial, que quer protegê-la e o caramba a quatro, mas é aquela coisa, Ahlam não aceita bem esse tipo de coisa (o proteger, digo). Enfim, a ideia foi meio que construir uma heroína autossuficiente já desde o início, por intermédio de uma língua ferina, temperamento explosivo e ímpeto desenfreado que sempre a mete em problemas, já que na experiência bélica ela não tem nenhuma. Acabou me passando mais a sensação de birra exagerada em determinados momentos, do que emancipação feminina.

Anyway, nada contra esse tipo de personagem, pelamor. Antes de eu amadurecer a ideia da minha história, a protagonista era assim e isso não acrescentava em nada na trama. N’O Medalhão pelo menos as meldas que a Ahlam faz, acaba levando-os pra algum lugar. O casal não me cativa mesmo depois daquela cena deles no final, a Ahlam me soa exagerada demais e o Faris pra mim não fede nem cheira. Óbvio, isso vai acabar trazendo um amadurecimento deles no próximo livro e é como disse em outro post, os primeiros livros são marromenos, nos seguintes é que a coisa costuma melhorar.

Obs: Toda vez que o Faris a chamava de “sua flor do deserto” eu ria. Os motivos disso eu levarei pro túmulo lol

Mas algo devemos pontuar. O embasamento teórico-mitológico dele é sensacional! O trabalho e cuidado que a autora teve pra usar de algumas palavras no idioma deles, pra dar uma auxiliada na imersão da trama. O panteão egípcio é super maravilhoso e o fato de ter escrito sobre um lugar que o pessoal não foca tanto (pelo menos depois do Efeito Riordan), faz uma grande diferença. E pr’aqueles leitores que gostam de representatividade nas histórias, taí um enredo bem interessante de se ler, já que tanto esse panteão quanto as características físicas do pessoal dessa região fogem do lugar-comum.

O papel da Ísis nesse conflito todo é muito bem trabalhado, a persistência e o intelecto dela estão sempre presentes, seja nas explicações mitológicas, seja nas birras da Ahlam.

Seth recebeu um verniz muito mais cruel nessa história, e isso foi outro ponto muito legal de notar na trama. Sei lá, quando aprendi isso na escola não me lembro de ter uma aura tão tenebrosa sobre ele e esse livro resgatou essa percepção.

Sem contar a capa e a diagramação que estão maravilhosos.

Anyway, recomendadíssima! Essa é mais uma daquelas histórias que o núcleo romântico não me cativa, mas o enredo traz uma trama de primeira ❤

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